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O PROBLEMA É SÉRIO...
 
O momento conturbado vivido pela política partidária nacional não pode ser usado como motivo para se fazer uma piada ou esboçar qualquer tipo de atitude meio sarcástica, pois ele é muito sério. A crise econômica deixada pelo governo anterior está matando o povo de fome, sobretudo a população menos abastada, justamente aquela formada pela grande maioria que esteve nas ruas clamando por mudanças.

Essa é uma opinião formada e oriunda do negociante Tonhão, homem sério, correto aos extremos, cônscio de seus deveres cívicos e sociais, já que estamos à beira das eleições municipais em todos os quadrantes deste imenso país.

A situação é tão crítica, que dia desses, no final do seu expediente, já entrando pela noite, ele foi convidado por um amigo de infância para tomar um trago no bar "O Derradeiro Gole" e apesar de gostar de uma boa caninha, ele recusou o convite.

Perguntado porque agiu dessa maneira, ele disse que o momento socioeconômico e político nacional é muito sério e que não valeria a pena sair para se distrair com os amigos, se lá no Planalto Central os parlamentares de plantão, que lutam pela manutenção do bem-estar do povo brasileiro estavam suando a camisa para resolver os problemas nacionais mais cruciais.

- Vou ficar aqui, na minha residência, confinado, aguardando o Jornal Nacional para me inteirar das notícias mais recentes sobre os problemas socioeconômicos e políticos nacionais que não são poucos – disse – com ar de muita preocupação.

A esposa dele que é uma pessoa muito sensata, aconselhou que ele fosse trocar o óleo do carro, pois no dia seguinte eles necessitariam sair para visitar a casa de praia que acabaram de comprar e que ainda não tinha um caseiro contratado para cuidar dela.

Tonhão atenderia a orientação da esposa e em seguida entraria numa Chevrolet Captiva 2016 que estava ao lado de um Hyundai Santa Fé GLS 3.3 V6 4X4 Tiptronic do mesmo ano, numa das garagens da casa da frente e sairia bem devagar, evitando qualquer movimentação que parecesse uma saída brusca para não ser multado pelo agente de trânsito que estava de plantão no início do quarteirão.

Antes de sair, disse para a esposa não se preocupar com o horário de retorno, pois ele iria passar no Haras da família para dar uma olhadela num dos cavalos que estava sendo tratado por um veterinário de sua confiança.

Tonhão retornou um pouco tarde, mas num horário que pudesse assistir ao Jornal da Noite, para se atualizar acerca dos fatos mais recentes envolvendo dois de seus amigos envolvidos com investigações da Operação Lava Jato.

Como se vê, a crise econômica que assola a vida do povo brasileiro é bem mais grave do que possa parecer. Enquanto uns tem vultosas somas em paraísos fiscais, outros apenas lavam pequenas somas de dinheiro em investimentos acobertados pelas legislações pertinentes.

Não obstante as consequências político sociais advindas do desfecho inusitado do último processo de impeachment, a economia nacional tende a navegar em mar de brigadeiro, principalmente a partir do retorno da viagem feita ao exterior pelo ex-presidente interino que agora, na condição de presidente efetivo, já deve estar bem mais inteirado dos eventuais problemas deixados pela administração anterior, da qual ele também fazia parte.

Agora, com administração nova, cadeira nova, vida nova, quase tudo novo, tudo tenderá a mudar para melhor, menos esse modo “cordeirinho” do povo brasileiro em aceitar as promessas advindas das mudanças político sociais corriqueiras que não o leva a nenhum lugar promissor.

Enquanto isso, o novo presidente, ao voltar do exterior, dirá entusiasticamente ao povo que o apoiou:

- Eu voltei agora para ficar. Porque aqui, aqui é meu lugar. Eu voltei para as coisas que eu deixei. Eu voltei...

O problema é sério... 
E ponto final.
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 05/09/2016
Alterado em 06/09/2016
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