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PURA INTUIÇÃO
 
Dois homens e duas mulheres indígenas, fugindo do ataque dos posseiros de terras ao longo da região do rio Araguaia, acabaram perdidos numa área de caatinga meio densa, na região nordestina, lá para as bandas do Maranhão.

Famintos e sedentos e amargando um calor intenso, decidiram catar coquinhos para amenizar a fome e a sede, sem muito sucesso.

Um dos homens carregava um isqueiro e um pedaço de fumo de corda e o outro uma cabeça de alho e uma faca de mesa que ele usava para descascar laranja, fruta essa inexistente por ali. Eram essas as únicas armas e recursos disponíveis para a sobrevivência na caatinga.

As mulheres, mais intuitivas que os homens, depois de muito andar e bisbilhotar o ambiente ermo, sem muita perspectiva de vida, descobriram uma pequena gruta para se abrigarem.

Uma delas já meio cansada, debruçou no tronco de um cajueiro velho, olhou para a linha do horizonte e disse:

- Vai chover e não ter lenha boa para fazer fogo quando sol cair.

Um dos índios, o mais velho deles, olhou para o outro e disse:

- Se não ter lenha boa para fazer fogo, índio novo e mulher catar cavaco e índio velho caçar alimento.

As mulheres, sempre mais intuitivas que os homens e desconfiadas por excelência, se entreolharam e disseram uníssonas:

- Mulher índia não catar cavaco, ser muito arriscado, ser coisa para homem novo e forte fazer; mulher índia procurar alimento também. E saíram lentamente em meio aos cactos e arbustos espinhosos existentes ali.
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 06/02/2018
Alterado em 11/02/2018
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