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VIDA DE PROFESSOR (IV)
 
Mariazinha, a aluna mais aplicada da sua classe, estava bem concentrada durante a aula, no intuito de terminar seu exercício, mas acabou tendo sua atenção desviada ao ouvir uma pergunta feita por Maria Quitéria, quase no final da aula:
- Professor, o mar seca?
A aula de Geografia que todos os alunos tiveram antes da pergunta da aluna Maria Quitéria, teria terminado de uma forma normal se o professor não tivesse dado uma resposta de forma evasiva, seguida de algumas considerações:
- Depende, Mariazinha. Se você está se ferindo ao mar Morto, que é um grande lago de água extremamente salgada, localizado no Oriente Médio, banhando Israel, Cisjordânia e Jordânia, ele tenderá a secar. Quem sabe, daqui a uns 50 anos, mais ou menos, se ninguém fizer nada para impedir isso.
Juquinha, que até então permanecia disperso, aguardando apenas o toque da campainha, anunciando o final daquela aula, se interessou pela resposta do mestre e quis saber:
- Professor, se este mar está Morto, certamente, não tem mais água nele e já deverá estar exalando algum mal cheiro. Como o senhor explicaria isso?
Por se tratar da proximidade do fim daquela aula e não haveria muito tempo para maiores explicações, o professor quis contemporizar um pouco, dizendo:
- O mar Morto, por incrível que nos pareça, ainda permanece vivo. O adjetivo "morto" tem a ver com o fato de não existir vida em suas águas, exceção feita para bactérias e algas. Nenhum outro ser vivo resistiria a tanto sal, que segundo estudos feitos nos últimos tempos, há 300 gramas de sal em cada litro da água lá existente.
Juquinha coçou a cabeça, olhou para um lado e para o outro, ficou com o semblante meio carrancudo e disse:
- Professor, meu avô que é um pescador veterano, entende muito bem disso. Quando ele chega de suas pescarias, com sua cumbuca cheia de peixes já mortos, a primeira coisa que ele faz é limpá-los e, em seguida, ele coloca bastante sal para eles não ficarem podres e exalando mal cheiro. Agora eu sei por que as pessoas ainda conseguem se banhar nesse mar Morto, ou lago Morto, seja lá o que for, sem se preocuparem com o cheiro dele. E acabou esboçando um sorriso meio sem graça.
O professor que já estava passando da hora de sair da classe para cedê-la para outro colega, fez o sinal da cruz, despediu-se de todos, balançou a cabeça de forma negativa e foi embora.
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 29/06/2020
Alterado em 29/06/2020
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