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VIVENDO E APRENDENDO: 
CAPÍTULO II - MEROS SOBREVIVENTES
 
O dia a dia dos homens do campo, em geral, tanto o daqueles de um passado não muito distante, quanto o desses de agora, não têm sido uma tarefa muito fácil para ser administrada a contento.
É preciso que esses camponeses de agora se conscientizem de que sua independência socioeconômica, condicionada às condições climáticas de cada região em particular, nunca será igual à de outros rincões, com características díspares; a malha produtiva de uma região fértil tenderá a ser bem diferente à daquela de outras regiões menos férteis em razão de suas particularidades sazonais, respectivamente.
O garoto Billy Lupércio Daniel, por ser oriundo de uma família de descendência camponesa e ter vivido momentos de dificuldades para se manter vivo e bem alimentado na companhia de seus pais  e irmãos, decerto, tem muitos casos  que envolvem “a escassez de quase tudo” para serem contados.
Há uma grande tendência de o pai de família camponês que vive exclusivamente da sua cultura de subsistência, achar que os governantes das esferas municipal, estadual e federal, nessa ordem, sejam os responsáveis diretos pelos altos e baixos de sua vida e lida camponesa como um todo.
Na maioria das vezes, eles acabam por ficar esperando durante parte de sua vida que programas sociais sejam criados por esses governantes, respectivamente, visando a solucionar alguns dos problemas sociais recorrentes que poderão surgir a cada ano e em determinadas regiões.
Os pais do menino Billy, que o tempo todo viveram da cultura de subsistência, sempre cuidaram da sua prole com o fruto do trabalho diário de sua lavoura da forma que lhes competiam fazê-lo, sem depender dessas ajudas subsidiárias governamentais.
Enquanto os irmãos dele eram bem pequenos e podiam ser carregados dentro de um caçuá  (nome que é dado para um cesto grande e comprido de vime, cipó ou bambu, sem tampa e com alças para prender às cangalhas no transporte de gêneros diversos em animais de carga), seus pais não os deixavam em casa sozinhos, na companhia de outros irmãos maiores; carregavam todos eles, dentro desses utensílios rurais, como se estivessem levando um carregamento de um produto agrícola qualquer.
Numa dessas idas e voltas para sua propriedade rural, o pai dele teve de levá-lo para o trabalho da lavoura porque o garotinho não tinha com quem ficar em casa. Naquele dia, a mãe dele tinha ido visitar um parente enfermo numa comunidade vizinha, acompanhada de outro irmão um pouco mais crescido e de outra criança de colo.
Em razão de o menino Billy ser pequeno, porém um pouco arteiro e, por isso necessitaria do olhar vigilante de alguém, o pai não desgrudava em nenhum instante sua atenção para com ele, mas bastou necessitar sair um pouco, para apanhar uma lata de água para beber, numa pequena nascente bem perto dali, para que o garoto causasse um alvoroço medonho para com ele, naquele dia.
Como toda criança pequena gosta de mexer com água, seja ela parada ou corrente, com Billy não foi diferente; ele aproveitou a ausência do seu guardião e resolveu sair do seu cantinho onde estava brincando calmamente, para ir brincar ao lado daquela poça, cujo volume de água barrenta encheria, no máximo, um tonel de 200 litros.
Começou brincando de cócoras, um pouco afastado daquela poça, jogando pedrinhas na água para observar as pequenas ondas que ali se formavam e, ao se aproximar um pouco mais, escorregou e caiu de cabeça dentro da água, ficando com ambas as pernas para o ar e só não veio a óbito porque o pai dele retornou a tempo de lhe salvar.
O alvoroço causado por ele naquele dia, serviu-lhe como uma lição importante que ele a tem carregado consigo e procurado utilizá-la por toda a sua vida e poderá servir como um alerta para os adultos no tocante aos cuidados que se deve ter para com as crianças em geral.
Não obstante o fato de ter se molhado completamente, além de ter se enlameado da cabeça aos pés, Billy conseguiu sair vivo dali para contar a sua história; aprendeu, a partir daquele episódio inesperado, que com a água parada ou corrente não se deve brincar, nem mesmo perto dela, sobretudo os “serumaninhos” incautos, que ainda não aprenderam a nadar.
 
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 12/07/2020
Alterado em 23/07/2020
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