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VIVENDO E APRENDENDO:
CAPÍTULO X - "PIOR A EMENDA QUE O SONETO"

 
A casa onde Billy Lupércio Daniel morava no seu tempo de criança era muito pequena. Havia pouco espaço nela para ele se acomodar e, ali, reler a lição do dia anterior, bem como tentar começar a entender a lição do dia seguinte. Os animais domésticos, tais como cães, gatos, galinhas e patos, por vezes, dividiam com ele o mesmo espaço, tanto nos seus momentos de estudos, quanto nos seus instantes ociosos.
Certo dia, enquanto ele estudava sentado numa esteira feita de taboa, que estava estendida sobre o chão batido de sua casa, necessitou sair um pouco para espairecer a mente e tomar um pouco de ar puro, diante do calor escaldante que reinava naquele momento. Sem sequer prever o aparecimento de um incidente já “anunciado”, ele deixou sua cartilha entreaberta sobre essa esteira e ficou conversando, por poucos minutos, de modo descontraído, com um dos seus irmãos.
Para sua infelicidade, uma galinha que passava por ali, conduzindo sua ninhada composta por vários lindos pintinhos, achou por bem defecar sobre uma das páginas de sua cartilha, deixando-a meio suja.
Ao retornar para a retomada dos seus estudos, quando viu aquela sujeira sobre uma das páginas de sua cartilha, provocada que o fora pelas fezes daquela galinha que dias atrás tinha deixado o choco e, pacientemente, conduzia aqueles lindos pintinhos, ele entrou em desespero.
A primeira ideia que lhe veio à cabeça, movida pela sua grande vontade de limpar a página defecada, foi retirar o excesso das fezes com uma folha de mamoneira e, em seguida, despejar um pouco de querosene nos resquícios daquela sujeira, visando à desinfecção da página afetada e, consequentemente, à amenização daquele mau odor advindo dela.
Nem é preciso dizer que a partir daquele momento, aquela página borrada pelas fezes e pelo querosene, tenha ficado com um mau cheiro fora do normal. Billy precisava, urgentemente, terminar o serviço de higienização do seu único livro escolar, antes que seu pai ou sua mãe tomasse conhecimento do ocorrido.
No mínimo, ele levaria uma reprimenda verbal, até mesmo umas tapas na região glútea, de um dos dois que chegasse ali primeiro.
Em princípio, ele teve a infeliz iniciativa de colocar sua cartilha para secar sobre uma superfície plana, aproveitando os raios solares que eram bem intensos naquele instante. Novamente, para sua infelicidade, ele desconhecia a grande volatilidade desse combustível e o pouco de querosene ali existente se espalhou por mais outras páginas.

Moral da história. Devido à pressão exercida pelo seu desespero pueril, agravada que o fora pela não contenção de seu comportamento deveras impulsivo, ele tentou resolver uma situação visivelmente contornável, não o conseguindo a contento, obrigando-o a admitir e a confirmar o teor descritivo da grande máxima do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805):
- “Pior a emenda que o soneto”, que significa tentar arrumar/reparar algo e deixar pior do que estava.
Se analisarmos friamente esse episódio vivido pelo garoto Billy, veremos que ele, ao tentar resolver uma situação meramente solúvel, que seria a retirada das fezes da galinha de cima da página de seu livro e a posterior desinfecção do espaço afetado, de modo precipitado, ele fez uso de um líquido combustível não recomendado para aquela situação e acabou deixando-a em condições quase deploráveis e, a página que já estava parcialmente limpa, ficou bem pior do que estava antes de ele ter tentado sua higienização, aplicando um líquido combustível de alta volatilidade sobre ela.
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 24/07/2020
Alterado em 24/07/2020
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