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VIVENDO E APRENDENDO:
CAPÍTULO XV - CHORANDO PARA IR ESTUDAR

 
Billy Lupércio Daniel era um daqueles alunos ainda novato, considerado pelos mais experientes como um verdadeiro “marinheiro de primeira viagem”, que nos seus primeiros meses de aula se portou de um modo meio desorganizado e um pouco mais ansioso que os demais colegas de classe.
Na verdade, naquele início de ano letivo ele não estava apresentando um bom aproveitamento escolar, fato esse que obrigou sua professora, muito severa que o era, a perder a paciência para com ele e aplicar-lhe uma reprimenda um pouco acima da medida, em um determinado dia.
Naquele seu raro instante de descontrole emocional, ela usou de forma ríspida e intencionalmente calculada, a parte externa da extremidade de sua longa e tênue régua de madeira usada em sala de aula, para atingir de raspão o rosto dele, deixando um pequeno hematoma no lado esquerdo da sua testa.
No início Billy ficou meio preocupado com aquela mini lesão corporal provocada por sua professora, mas nem tanto por causa do pequeno calombo que ficara na sua testa e sim porque ele temeria uma futura reação instintiva por parte dos seus pais, assim que eles tomassem conhecimento do ocorrido. Certamente, eles arrancariam do garoto os detalhes de toda a verdade e, de imediato, um deles iria falar com a professora dele para a confirmação e esclarecimentos de tudo .
Provavelmente, sem pensar duas vezes, o pai dele o tiraria daquela escola, após dizer, de forma educada, poucas e boas para aquela professora. Contudo, se o pai do garoto contasse com a anuência total da sua esposa, já no dia seguinte Billy deixaria de estudar e, com certeza, ele seria levado para trabalhar como o novo ajudante do seu pai em pequenas tarefas braçais na sua propriedade rural.
Billy não queria deixar de estudar para ir trabalhar de uma vez por todas na lavoura com seu pai. Preferiria voltar para sala de aula, sujeito a levar outros “golpes” de régua, a ter de deixar de estudar. Não gostaria de  ir, em definitivo, para a propriedade rural do pai dele e ali ter de "puxar cobras para os seus pés", em meio aos gravetos. Permaneceria, como já o fazia até então, indo trabalhar com ele apenas nos horários em que não estivesse em aula.
Geralmente, o trabalhador do campo, sobretudo aquele que vive da cultura de subsistência e que não tem uma máquina agrícola para lhe auxiliar quando do preparo do terreno a ser plantado, vale-se muito do trabalho braçal, roçando o mato, capinando ou sulcando a terra. Por vezes, nessas ocasiões, quando do uso do seu instrumento rudimentar de trabalho diário que é a enxada, nos instantes em que ele prepara a terra para o plantio, corre sério risco de arrastar animais peçonhentos e venenosos para os seus pés.
A maioria desses animais fica camuflado em meio às folhagens e/ou gramíneas e, ao se sentirem ameaçados, fogem desnorteados ou se defendem com as “armas” que dispõem.
Naquele dia, de tanto orar para o Seu Deus, Todo Poderoso, felizmente, Billy pôde contar com a ajuda espontânea de sua mãe que, instintivamente, tornou-se sua grande aliada. Ao notar o desespero do seu filho, ou seja, ao lhe vir chorando, copiosamente, disse-lhe que assim que o pai dele retornasse do trabalho da lavoura no final daquele dia, ela falaria com ele para que o deixasse continuar estudando e assim o fez, usando do seguinte argumento, tão logo ele retornou do trabalho e ainda pôde vir Billy choroso:
- Homem de Deus, fique tranquilo, o menino está bem. O choro dele não foi porque levou uma “leve pancada” de régua lá na escola dele; esse choro faz parte da preocupação dele, porque quer continuar indo para a escola estudar e nós dois iremos fazer isso por ele – e prosseguiu. Nesta vida, em alguns momentos, quem não recebe um pouco de castigo como forma de aprender a acatar uma orientação mais severa, pouco aprende ou não aprende nada na vida. – E finalizou sua fala, olhando fixamente bem no fundo dos olhos do marido que, sem retrucar, concordou com tudo que ela disse.
Na manhã do dia seguinte, antes que seu velho pai mudasse de ideia, Billy levantou-se mais cedo e o ajudou a pôr arreios nos animais que ele precisaria levar para o trabalho da lavoura e, enquanto isso, na parte interna de sua casa, a mãe dele colocava seu material escolar na sua mochila.
Ciente de que eles estavam de comum acordo com a continuidade dos seus estudos, naquela hora Billy pediu a ambos que o abençoassem e, em seguida, apressou os passos rumo àquela escola de onde ele jamais desejou sair. 
Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 28/07/2020
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