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UMA BREVE ESTÓRIA DE VIDA - EPISÓDIO I

O INÍCIO DE TUDO

 

O personagem deste conto que ora dá início à minissérie poética antes mencionada, é uma pessoa nascida numa cidade grande muito conhecida que hoje faz parte de uma das regiões mais desenvolvidas deste país. Seus pais são migrantes, por excelência, vindos de outra região desta imensa nação, sendo que eles vieram para cá em épocas distintas: o primeiro deles veio para cá no ano em que Paul McCartney anunciou sua saída da icônica banda inglesa, os Beatles, oficializando o fim de um dos maiores grupos musicais da história; o segundo veio um pouco depois, precisamente no fim do ano em que a televisão brasileira estreava oficialmente suas primeiras transmissões em cores durante a Festa da Uva, na cidade gaúcha de Caxias do Sul.

 

Essa pessoa em questão nasceu no ano em que ocorreu o fim do Império Etíope, porém um pouco antes de o imperador Haile Selassié ter sido deposto por um golpe militar de cunho marxista, encerrando, destarte, uma dinastia que governava o país havia séculos.

 

Morou desde seus primeiros dias de vida, e por um período de um pouco mais de um quinquênio, em um bairro de periferia de uma cidade grande da região sudeste, naquele período em que tal cidade era governada por um prefeito nomeado por um governador que era plenamente apoiado pela ditadura militar.

 

Nesse primeiro ciclo de sua existência essa pessoa era o único filho de um casal que iniciava sua vida a dois com algumas dificuldades financeiras, bem como de adaptação em geral numa cidade grande. O provedor da família, que era o seu pai, trabalhava duro em dois empregos, sendo que o primeiro deles era desempenhado numa escala de 6x1 e no outro ele trabalhava em um regime “part-time” (meio período), cujo período de atuação não podia ultrapassar 30 (trinta) horas semanais e sem direito a realização de horas extraordinárias. Sua mãe não trabalhava fora, apenas atuava como dona de casa e durante todo seu tempo disponível se encarregava de cuidar do filho, do marido e dos afazeres domésticos.

 

Por esse filho ter pouco tempo de contato com seu pai durante toda a semana, pois quando ele chegava do trabalho o filho já estava dormindo e que ele saía para trabalhar no dia seguinte, o filho também não estava acordado. desta forma, nos dias em que o pai estava de folga o filho estranhava um pouco a presença dele dentro de casa, justamente por conviver a maior parte do seu tempo apenas com a mãe.

Essa pessoa ainda conta em seus escritos que em alguns momentos dessa convivência familiar do seu dia a dia, devido à correria e o horário de trabalho do seu pai, poucas vezes conversava com ele durante a semana e, por vezes, até quis se esconder dele quando ele estava em casa, mas não o fazia por completo porque a casa de aluguel onde eles moravam tinha pouco espaço para isso.

Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 13/06/2026
Alterado em 30/07/2026

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