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UMA BREVE ESTÓRIA DE VIDA - EPISÓDIO II

MUDANÇA DE HÁBITOS E DE ARES

O tempo foi passando no seu compasso natural e seus pais que até então moravam em casa alugada, entenderam que deveriam mudar de ares e, com algum sacrifício, naquela ocasião decidiram comprar um terreno e em seguida construíram uma singela moradia.

 

Sua mãe, por sua vez, ao sentir que seu filho estava crescendo sozinho e um pouco dependente do convívio de crianças de sua idade, logo engravidou, e seu filho, que era aquela pessoa que se sentia na condição de um filho único, passou a perceber que aquele seu espaço de filho paparicado, em pouco tempo seria compartilhado com um recém-nascido que estava prestes a chegar.

 

Ainda durante o fim do período da gravidez de sua mãe, sua família saiu do bairro onde seu primeiro filho nasceu e foi para outro bairro, mas desta feita passaria a morar em uma casa própria, construída pelo seu pai com a ajuda de alguns conhecidos dele com algumas dificuldades, evidentemente, caracteristicas de quem chegava recentemente para se fixar em um lugar desconhecido.

 

Logo que chegaram na nova casa seu novo irmão nasceu, por se encontrar na condição de filho mais velho, após a chegada repentina de seu novo irmão, teve uma crise de ciúmes muito forte, pois àquela altura de sua convivência pueril, esse irmão recém-chegado também ocuparia um espaço que até então era só seu, que era o de conviver exclusivamente com seu pai e com sua mãe. Sentiu que a partir da chegada desse seu novo irmão tudo seria dividido por dois, pois até o berço que estava no quarto que ele dormia antes, o irmão novato se apossaria dele.

 

Essa situação também seria alterada tempos depois, após uma nova gravidez da mãe dele, pois com a chegada do seu segundo irmão, ele já se conformou um pouco mais, porque deveria entender que no coração dos pais, em geral, há sempre um lugar reservado para outros irmãos que vierem fazer companhia aos que já estavam. Assim, aquela cena de ciúmes que ele teve anteriormente com a chegada do seu primeiro irmão passaria a ser dissipada e, consequentemente, esquecida por completo.

 

Aos trancos e barrancos, ou seja, com as dificuldades do dia a dia de um casal onde só tinha a renda mensal de um trabalhador assalariado, todos iam vivendo juntos e obstinados um dia após o outro, da forma como Deus, Pai-Criador lhes permitia.

 

Disse que antes de vim para a nova casa já estudava e mesmo após a chegada do seu primeiro irmão, continuou estudando. Seus dois irmãos também viriam a iniciar seus estudos algum tempo depois e, àquela altura dos acontecimentos, já tinha 11 anos de idade e seus outros dois irmãos tinham 6 e 4 anos, respectivamente. Seguindo aquela necessária rotina dos anos anteriores, naquela ocasião e junto com seus dois irmãos mais novos, passaram a formar uma nova força-tarefa familiar interna, uma vez que a mãe deles precisaria estudar e, desse modo, se capacitar para o mercado de trabalho, visando a ajudar o marido a aumentar a renda familiar.

 

Afirmou se recordar, com riqueza de detalhes, os dias em que foi para escola no novo bairro; no início levado por seu pai ou por sua mãe, mas depois teve que ir e vir só da sua escola. Os anos se passaram e, algum tempo depois, era essa pessoa, que desta feita já um pouco mais crescida, quem levava seus dois irmãos mais novos para a escola. Ao final das aulas, ela aguardava seus irmãos na saída da escola para levá-los para casa e, nesse interim, aguardavam juntos em sua casa, a volta da mãe deles que chegaria da escola dela onde cursava os últimos anos do ensino ginasial, que hoje é representado pelo ensino fundamental II; logo em seguida ela faria mais três anos do curso magistério.

Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 13/06/2026
Alterado em 03/08/2026

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